Doenças nas mãos durante a gravidez, como inchaço, dormência e dor articular, são comuns devido às alterações hormonais e circulatórias. Essas mudanças são essenciais para o desenvolvimento do bebê, mas também podem causar alterações em várias partes do corpo — inclusive nas mãos e punhos.
Como médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e microcirurgia, explico neste artigo quais são as principais condições que afetam as mãos durante a gravidez, como identificá-las e o que pode ser feito para aliviar o desconforto com segurança.
Por que as mãos sofrem alterações na gravidez
A combinação de retenção de líquidos, aumento do volume sanguíneo e ação hormonal faz com que os tecidos corporais — inclusive os das mãos — fiquem mais inchados e elásticos. Esse inchaço pode comprimir nervos, tendões e ligamentos, principalmente nas regiões onde há pouco espaço, como o punho.
Outro fator importante é o aumento da relaxina, hormônio que torna as articulações e ligamentos mais flexíveis para o parto. Essa substância também pode acometer as articulações das mãos, podendo gerar dor, especialmente ao realizar movimentos repetitivos.
Além disso, a gestação modifica a postura e a circulação sanguínea, favorecendo o acúmulo de líquido nas extremidades. Esse fenômeno, chamado edema gestacional, é o principal gatilho de doenças compressivas nos punhos.
Síndrome do Túnel do Carpo (STC): a mais comum nas gestantes
A Síndrome do Túnel do Carpo é responsável por até 60% das queixas de dor e formigamento nas mãos durante a gestação. Ela ocorre quando o nervo mediano é comprimido dentro de um canal estreito localizado no punho — o túnel do carpo.
Anatomia simplificada
O túnel do carpo é um corredor formado pelos ossos do punho e por um ligamento espesso chamado ligamento transverso do carpo. Dentro dele passam nove tendões e o nervo mediano, responsável pela sensibilidade do polegar, indicador, médio e metade do anelar.
Quando há retenção de líquido e aumento da pressão dentro desse túnel, o nervo é comprimido, gerando os sintomas característicos.
Sintomas
- Formigamento nos dedos polegar, indicador e médio;
- Dormência que piora à noite (muitas gestantes relatam acordar com a mão “adormecida”);
- Dor que pode irradiar do punho para o antebraço;
- Perda de força para segurar objetos ou amamentar;
- Sensação de “mão inchada”, mesmo sem edema visível.
Por que é mais comum na gravidez
A STC surge principalmente no terceiro trimestre, quando o volume sanguíneo e a retenção hídrica atingem seu pico. Em cerca de 80% dos casos, os sintomas desaparecem espontaneamente até três meses após o parto.
Tratamento e cuidados
O tratamento é, na maioria das vezes, conservador:
- Uso de órtese noturna (tala que mantém o punho reto, evitando compressão);
- Elevação das mãos acima do nível do coração para reduzir o inchaço;
- Compressas frias e drenagem linfática manual com liberação médica;
- Pausas frequentes durante atividades manuais (como digitar ou segurar o celular);
- Exercícios leves de mobilidade dos dedos e punhos.
Nos casos mais intensos, podem ser indicadas:
- Fisioterapia ou Terapia Ocupacional especializada;
- Cirurgia de liberação do túnel do carpo, apenas em casos graves ou que persistem após o parto.


Tenossinovite de De Quervain: dor no punho e dificuldade para segurar o bebê
A Tenossinovite de De Quervain é outra condição bastante comum entre gestantes e puérperas (período após o parto). Ela causa inflamação dos tendões que movimentam o polegar — especificamente o abdutor longo e o extensor curto do polegar — dentro de um canal estreito na lateral do punho.
Como se manifesta
- Dor na base do polegar, que piora ao segurar o bebê, abrir tampas ou usar o celular;
- Inchaço local e sensibilidade ao toque;
- Dificuldade para realizar movimentos de pinça (como segurar uma caneta ou colher);
- Em casos mais avançados, pode haver sensação de estalo ou travamento do tendão.
Essa inflamação é provocada por sobrecarga repetitiva e pela retenção de líquidos, que deixa a bainha tendínea espessada. O problema é tão frequente que, popularmente, ficou conhecido como “pulso da mãe”.
Tratamento e prevenção de doenças nas mãos durante a gravidez
- Imobilização temporária com tala para o polegar;
- Aplicação de gelo local 2 a 3 vezes ao dia;
- Alongamentos e massagens leves orientados por terapeuta ocupacional;
- Ajuste na forma de segurar o bebê (usar apoio de amamentação e alternar os braços);
- Evitar uso excessivo do celular ou movimentos repetitivos.
Quando a dor é intensa e limita o cuidado com o filho, pode-se realizar infiltração local com corticoide sob controle médico. Casos crônicos, que persistem mesmo após o desmame, podem exigir liberação cirúrgica dos tendões.

Outras doenças nas mãos durante a gravidez
Edema gestacional: uma das mais frequentes doenças nas mãos durante a gravidez
O inchaço é resultado do aumento de volume de sangue e da compressão das veias pélvicas pelo útero. Quando afeta as mãos, pode causar sensação de rigidez e dificuldade para fechar os dedos.
Dicas úteis:
- Mantenha as mãos elevadas sempre que possível;
- Evite anéis apertados;
- Faça movimentos leves com os dedos para estimular a circulação;
- Beba bastante água (hidratação ajuda a eliminar o excesso de líquido).
Dormência difusa e rigidez matinal
São sintomas comuns e, na maioria das vezes, benignos. Estão ligados à compressão transitória dos nervos devido ao inchaço. Quando persistentes, podem indicar o início de uma síndrome compressiva (como a STC) e devem ser avaliados.
Artralgia gestacional
Algumas gestantes relatam dor nas articulações sem inflamação aparente. Geralmente está relacionada à ação hormonal sobre os ligamentos. Nestes casos, a fisioterapia e o uso de órteses leves ajudam a manter a função e aliviar o desconforto.
Cuidados gerais e o que evitar durante a gravidez
Durante a gestação, é fundamental evitar tratamentos invasivos desnecessários ou o uso de medicamentos sem orientação médica.
Algumas recomendações práticas incluem:
Evite automedicação: nem todos os anti-inflamatórios são seguros na gravidez.
Mantenha atividade física leve: exercícios aquáticos, ioga e alongamentos ajudam na circulação.
Cuidado com o repouso excessivo: manter as mãos imóveis pode agravar a rigidez.
Use talas sob orientação médica: principalmente à noite, quando o punho tende a dobrar inconscientemente.
Invista na fisioterapia especializada: técnicas de mobilização neural, ultrassom terapêutico e crioterapia são seguras e eficazes.
Quando procurar um especialista para cuidar de doenças nas mãos durante a gravidez
Procure um especialista caso:
- A dor ou dormência atrapalham o sono ou as atividades diárias;
- Há perda de força ou dificuldade para segurar objetos;
- O formigamento é constante e não melhora após o parto;
- Há sinais de inflamação, calor local ou inchaço persistente.
Um diagnóstico preciso evita complicações e permite iniciar o tratamento adequado, com segurança tanto para a mãe quanto para o bebê.
Como é feita a minha avaliação
Durante a consulta, eu realizo uma avaliação detalhada da mão e do punho, reviso exames de imagem e identifico se há compressões nervosas, inflamação de tendões ou apenas alterações transitórias ligadas à gestação.
O objetivo principal é compreender a causa exata dos sintomas e definir o melhor tratamento, que pode incluir:
- uso de órteses (talas) para reduzir a dor e proteger as articulações;
- orientações posturais e cuidados ergonômicos no dia a dia;
- exercícios leves e fisioterapia específicos para gestantes;
- e, quando necessário, ajustes de rotina para aliviar a pressão e o inchaço nas mãos.
Todas as condutas são planejadas levando em conta a segurança da gestante e do bebê, sempre com orientação individualizada.
Como marcar uma consulta comigo
As avaliações são realizadas no meu consultório, em um ambiente preparado para receber gestantes com conforto e segurança.
Você pode agendar sua consulta pelos canais disponíveis no meu site www.drerickyoshio.com.br
Se você sente desconforto nas mãos, agende uma avaliação comigo. Com uma boa conversa e um exame cuidadoso, podemos aliviar seus sintomas e ajudar você a viver essa fase com mais conforto e tranquilidade.