A Doença de Kienbock é uma patologia rara. Ocorre devido à necrose avascular do osso semilunar e pode afetar significativamente a função do punho e da mão. Como especialista em cirurgia de mão e microcirurgia, quero explicar de forma clara para você o que é essa doença, como identificá-la, as opções de tratamento e a importância de buscar um especialista qualificado.
O que é a Doença de Kienbock?
A Doença de Kienbock é uma condição que afeta o osso semilunar, um dos pequenos ossos do punho. Esse osso tem a função de transmitir cargas e permitir a movimentação adequada da mão. Quando ocorre uma interrupção do fluxo sanguíneo para esse osso, ele pode sofrer necrose, ou seja, colapsar, o que pode comprometer a estrutura e a função.
Os principais sintomas são dor, limitação de movimentos e, se não tratada corretamente, levar a alterações permanentes no punho como colapso, e artrose. Entender o problema cedo é essencial para preservar a função da mão e evitar possíveis complicações.

Figura: Corte de tomografia evidenciando a osteonecrose do semilunar. Fonte “Greens Operative Hand Surgery 8th edition”.
Quais são as causas e fatores de risco?
A principal causa da Doença de Kienbock está relacionada à alteração da vascularização do osso semilunar. Isso pode ocorrer por fatores anatômicos individuais, traumas repetitivos ou acidentes que comprometem o fornecimento de sangue ao osso.
Alguns fatores que aumentam o risco incluem:
- Uso excessivo do punho em atividades laborais ou esportivas
- Históricos de fraturas ou lesões no punho
- Alterações anatômicas que dificultam a irrigação sanguínea do osso
- Fatores de risco como uso crônico de corticóides, trombofilias, etc.
- Não é uma condição causada por falhas durante o crescimento do osso; trata-se de uma questão estrutural e vascular que precisa de avaliação especializada.


Figura: Fatores de risco anatômicos e vasculares para osteonecrose do semilunar. Fonte “Greens Operative Hand Surgery 8th edition”.
Quais são os sintomas mais comuns?
Identificar a Doença de Kienbock precocemente pode fazer grande diferença na recuperação. Os sintomas geralmente surgem de forma gradual e incluem:
- Dor no punho, especialmente ao movimentar a mão ou ao realizar força
- Rigidez e dificuldade de mobilidade
- Inchaço ou sensibilidade localizada sobre o osso semilunar
- Perda de força ou dificuldade em segurar objetos
- Progressão da dor à noite ou após atividades repetitivas
Se você perceber esses sinais, é fundamental procurar avaliação de um médico especialista em cirurgia de mão e microcirurgia, antes que evolua para estágios mais avançados.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Doença de Kienbock começa com um exame clínico detalhado, no qual avalio a mobilidade, força e dor no punho. Em seguida, utilizamos exames de imagem, como radiografias e ressonância magnética, que permitem visualizar o grau de comprometimento do osso e definir o estágio da doença.
O estágio da Doença de Kienbock é determinante para escolher o melhor tratamento. Por isso, cada paciente recebe uma avaliação individualizada, considerando idade, nível de atividade e necessidades funcionais.

Figura: Estágios de Litchman para doença de Kienbock. Fonte “Greens Operative Hand Surgery 8th edition”.

Figura: Raio- x demonstrando a doença de Kienbock. Fonte: “Pardini – Lesões Não Traumáticas da Mão, 2ed”.

Figura: Ressonância magnética com osteonecrose do semilunar. Fonte: “Pardini – Lesões Não Traumáticas da Mão, 2ed”.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento da Doença de Kienbock pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo do estágio da doença.
- Tratamento conservador: inclui repouso, uso de órteses, fisioterapia, terapia ocupacioal e acompanhamento regular. Indicado nos casos iniciais ou quando a dor é leve.
- Tratamento cirúrgico: pode envolver procedimentos como osteotomias, revascularização do semilunar ou artrodeses parciais. A escolha depende do grau de necrose, da idade do paciente e da função que se deseja preservar.

Figura: Revascularização do semilunar com uso de enxerto vascularizado 4 + 5 ECA. Fonte “Greens Operative Hand Surgery 8th edition”.

Figura: Artrodese escafo-capitato. Fonte: “Pardini – Lesões Não Traumáticas da Mão, 2ed”.

Figura: Artrodese escafo capitato. Fonte “Greens Operative Hand Surgery 8th edition”.

Figura: Artroscopia para doença de Kienbock. Fonte “Greens Operative Hand Surgery 8th edition”.
Por que procurar um especialista em cirurgia da mão?
A Doença de Kienbock exige avaliação por um especialista em cirurgia da mão e microcirurgia, pois diagnósticos tardios ou tratamentos inadequados podem resultar em limitações permanentes e progressão da necrose. Consultar um profissional qualificado permite:
- Diagnóstico precoce e preciso
- Planejamento individualizado do tratamento
- Orientação completa sobre expectativas e cuidados pós-tratamento
Além disso, a experiência em microcirurgia permite realizar procedimentos complexos com maior segurança e melhores resultados funcionais.
Como se preparar para a consulta
Para aproveitar ao máximo sua consulta comigo, recomendo:
- Levar todos os exames e relatórios médicos anteriores
- Anotar sintomas, histórico de lesões e dúvidas
- Estar preparado para discutir seu dia a dia e atividades que exigem esforço do punho
Isso me permite oferecer uma avaliação detalhada e indicar a conduta mais adequada para seu caso.
Se você está com dor, dificuldade de movimento ou suspeita de Doença de Kienbock, não espere a evolução do problema. Marque uma consulta comigo para uma avaliação completa. Vou analisar seu caso com atenção, esclarecer suas dúvidas e traçar o melhor caminho para preservar a função da sua mão, com segurança e cuidado individualizado.